Porquê ser vegetariano?

Entre outras razões para adotarmos uma dieta vegetariana destacam-se as seguintes: anatômicas e fisiológicas, higiênicas, de saúdes, econômicas, estéticas, ecológicas, éticas, espirituais e religiosas. Vamos listar aqui as mais comuns.


Ambiental e Econômica


Utilizar menos recursos naturais para a obtenção de alimentos.

Certamente esse aspecto é muito esquecido pela maioria dos ecologistas e da população, talvez por ser escondido pelas grandes empresas produtoras de carne e pelo interesse econômico do governo. Em 7 anos, dobrou a produção mundial de carne: são 2500 milhões de toneladas anuais. Na Amazônia, segundo estudo do Centro para Pesquisas Florestais Internacionais (Cifor, na sigla em inglês)existia em 2002 57,4 milhões de cabeças de gado contra 22 milhões de habitantes, ou seja, muito mais gado do que pessoas. De acordo com o Cifor, para cada hectare destinado à agricultura na Amazônia, existem hoje seis hectares de pastagens para o gado. Temos hoje inúmeros dados que provam os grandes impactos, muitas vezes irreversíveis, que o consumo de carne implica. A pecuária foi o principal fator responsável pelo desmatamento da mata atlântica, da caatinga, do cerrado e agora da Amazônia. O desmatamento da Amazônia por queimadas gera 2 milhões de toneladas anuais de CO2 , o que corresponde a 2/3 das emissões brasileiras de gases poluentes. Mesmo assim, no Brasil, vê-se aumento na exportação de carne. Isso ocorre por ser mais barato produzi-la aqui, justamente pelos danos ambientais não serem interiorizados no preço da carne exportada. Ou seja: com a pecuária, retiram-se muito mais recursos do país do que se recompõe (fonte: João M. Filho – Instituto Peabiru, Belém).

Para se ter uma idéia, a indústria de carne é uma das maiores responsáveis pela poluição da água, pois, apenas para se ater a um exemplo, um porco excreta de 7 a 8 vezes mais que um ser humano por dia. Uma criação de porcos média produz tantos excrementos quanto uma cidade com 12 mil habitantes. Esses excrementos vão parar em açudes ou em alguns esterqueiros muito mal planejados. Além disso, a pecuária é uma das maiores consumidoras de água. São necessários 35 litros de água por dia para sustentar um boi e de 90 litros por dia para sustentar uma vaca leiteira (dados da FAO – Food and Agriculture Organization). Para se produzir 1 kg de carne, precisa-se de 15 mil litros de água; no entanto, para se produzir 1 kg de cereal, precisa-se de 1,3 mil litros de água. É uma diferença gritante para um mundo que está sofrendo com vários problemas relacionados à falta de água. A produção de um único hambúrguer consome uma quantidade de água suficiente para 17 banhos de chuveiro. Além disso, a produção industrial de animais é responsável pela infiltração de medicamentos e hormônios nos lençóis freáticos (fonte: Natürlich Vegetarisch e EarthSave Magazine - Primavera 2000).

Na questão da terra, temos cerca de 80% das áreas cultiváveis usadas para a criação de animais. Em um hectare de terra podem ser plantados 22.500 kg de batatas, mas, na mesma área, só podem ser produzidos 185 kg de carne bovina (dados da FAO). Num país onde a maior parte da população é miserável e passa fome, a maior parte dos alimentos produzidos é destinado para sustentar o luxo da carne, sendo que a carne alimenta somente uma pequena parcela da população, essa que certamente, se deixasse de comer carne, não iria passar fome, pois tem acesso a variedades de fontes alternativas. Além disso, com os cereais produzidos para a demanda da pecuária, poderíamos alimentar 1/3 da população mundial, que é a que passa fome. Estudos patrocinados por entidades ecológicas norte-americanas concluem que mais de 1 bilhão de pessoas poderiam alimentar-se com os grãos, sobretudo soja, destinados à alimentação do rebanho bovino norte-americano. E mais: a economia em grãos conseguida se os americanos reduzissem em apenas 10% o consumo de carne seria suficiente para alimentar o mesmo número de pessoas que, segundo os estudiosos, morre de fome no mundo a cada ano (fonte: Como Defender a Ecologia, ed Nova Cultura).

O peixe não escapa dessa. Só a indústria de atum enlatado é responsável pela morte de mais de 150 mil golfinhos por ano no Oceano Pacífico (algumas fontes alegam que são 250 mil). A compra, seja de uma lata de atum ou de qualquer outro peixe, está estimulando a matança indiscriminada de golfinhos – animais tidos como os mais inteligentes depois do homem. O problema ocorre porque os atuns e outros peixes se concentram freqüentemente sob cardumes de golfinhos, que acabam sendo apanhados pelas redes e arrastados para o fundo, onde morrem afogados. Lamentavelmente, às vezes morrem mais de cem golfinhos para que se possa pescar uma dúzia de atuns (fonte: Como Defender a Ecologia, ed Nova Cultura).

Podemos ver claramente, com esses dados, que o bife de cada dia tem um impacto ambiental assustador. As catástrofes da seca na Amazônia, o clima descontrolado no sul e do sudeste do país e a perda da biodiversidade são apenas alguns exemplos do que os grandes rebanhos causam no mundo.

Espiritual

Há ainda pessoas que são vegetarianas por razões religiosas, como por exemplo alguns adventistas do sétimo dia, alguns budistas, os espíritas e os hindus.


Ética

Do ponto de vista ético, a carne em nossa mesa implica em crueldade com os animais, bem como com o próprio ser humano, uma vez que sua produção é anti-econômica e a quantidade de alimento produzido em uma mesma extensão de terra é muito menor do que quando dedicada à lavoura. Portanto, em um mundo onde a fome ainda é uma realidade para grande parte da família humana, torna-se, o comer carne, um hábito suntuoso, totalmente inaceitável.

A maneira como os animais são criados em espaços reduzidos, confinados em gaiolas ou em ambientes superlotados é cruel e desumana. Os animais são muito ligados à sua prole; quando criados confinados são impedidos de seguir seus instintos, o que os faz sofrer intensivamente. A forma como são abatidos é primitiva e violenta. Os métodos para atordoá-los não são confiáveis e muitos são esquartejados, esfolados, queimados e/ou depenados ainda vivos.

Os animais são transportados para o abate em condições péssimas, muitas vezes ficando sem alimento ou água por longos períodos de tempo. Em vista disso, muitos morrem a caminho do matadouro.

Nutricional

Do ponto de vista da saúde o regime vegetariano é amplamente favorável. Segundo alguns nutricionistas há um forte consenso de que a dieta vegetariana é mais saudável do que as que dão ênfase aos alimentos de origem animal. Porém, há quem conteste esse argumento; a elaboração de uma dieta saudável depende sempre do metabolismo da pessoa em questão e em diversos casos as carnes são sim parte importante de uma dieta saudável.